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O Andarilho

Era uma vez um povo que habitava terras distantes. Era um reino de muita luz, amor e prosperidade. Na terra que viviam, obtinham todo alimento e segurança que precisavam. Viviam em plena harmonia com todos os outros seres que ali habitavam. Haviam magos e seres mágicos que cuidavam não só do corpo desses seres, porém também tratavam o espirito e a mente de todos. Eram governados através da sabedoria de seus anciões. Havia muita diversão, arte e música por onde quer que fosse. Todas as pessoas eram felizes e alegres, ajudando uns aos outros. 


Um dia um dos habitantes se sentiu limitado por está há tanto tempo entre aqueles seres, e decide partir dali, em busca de conhecer outros seres e lugares. Decide então partir, rumo ao desconhecido. Caminhando eras e eras na sua busca (sim, os seres dessa terra eram imortais), encontrou apenas as mais belas paisagens e nada mais. 

Porém a certo ponto, começou a se sentir solitário, caindo em conflitos dentro de sua alma. Distante da tribo, sem os curandeiros para lhe ajudar, foi tomado por aquele sentimento que o perturbara. Decide então voltar.

Caminhando novamente por eras e eras ao encontro de sua antiga família, não esperava a hora de reencontrar novamente todos com a costumeira alegria e felicidade que deixara pra trás. 

Porém ao chegar a sua tribo natal encontrou o reino diferente, um tanto mais escuro e sombrio. Encontrou pessoas estranhas. Doentes. Solitárias. Muita coisa parecia ter mudado. Já não conseguia reconhecer nenhum dos seus antepassados. Se sentiu muito confuso e decidiu então perguntar as pessoas o que aconteceu com aquela tribo, contando sobre como tudo era diferente em seu tempo. Porém todos diziam que nunca houve um tempo assim, que sempre foi assim, que nada mudou. Todos desconheciam aquele tal reino fantasioso do andarilho.


Se sentido ainda muito chocado com aquilo, decide se afastar um pouco da tribo em busca de um lugar silencioso e pacifico para refletir sobre o que estava acontecendo. Passou então a meditar num alto de uma montanha de frente para o reino em busca de respostas. 

Após várias eras meditando e não encontrando respostas, decide investigar mais de perto e fazer algo por aqueles seres. Desce a montanha até a tribo e começa a contar sobre as histórias que viveu naquele mesmo lugar. Contava para todos e ninguém o dava ouvidos. Os adultos já não acreditavam no que para eles era pura fantasia.

Assim, após se sentir esgotado decide agir diferente, passa então a encontrar as crianças dessa tribo e contar suas histórias. Para sua surpresa elas ouviam atentamente tudo que ele contava e se animavam a cada história nova contada. Ele percebeu que havia uma esperança. Dedicou assim, várias eras alimentando as crianças com suas histórias, initerruptamente. Se sentindo esgotado e ainda não vendo nenhuma mudança, apesar de seu sentimento de acolhimento pelos pequenos, decide voltar a montanha para repousar e refletir novamente.

Passa então por eras de recolhimento, meditando, até o dia que percebe, lá do alto, um aspecto diferente no reino abaixo, a cidade parecia mais iluminada, mais animada. Incrivelmente surpreso com essa sensação, decide então descer a montanha e ver o que estava acontecendo.

Chegando lá ele constatou que as crianças que um dia ele contara as histórias haviam crescido, e estavam se comportando diferente. Elas pareciam mais confiantes e felizes, determinadas a mudar a situação que havia se instaurada ali. Elas cuidavam dos mais velhos. Cantavam antigas canções relembradas por ele. A cidade estava se transformando. A energia do antigo povo agora estava ali presente. Pessoas eram cuidadas e curadas. Crianças eram educadas ouvindo as mesmas histórias que ele ensinou em sua passagem. Tudo parecia mais vivo, mais harmonioso. 


Nisso, ele foi tomado por um êxtase de alegria e esperança, que o fez trabalhar por longas eras ao lado dos antigos pequeninos que o reconheceram e seguiam suas ideias. Eles trabalharam muito, por muito tempo. Até que toda cidade se tornou alegre e feliz novamente. 

Ele cuidou, ensinou, cantou, dançou e se entregou por completo em todo processo. No final de longas eras tudo voltou ao seu antigo e original estado. Todos cantavam e celebravam todos os dias o reino de paz, amor e prosperidade.

Com isso, o andarilho decidiu nunca mais abandonar novamente sua terra natal, para assim garantir que nada de errado pudesse destruir a paz e amor que ali reinava.

E assim foi. E por infinitas eras esse povo viveu cultivando a paz, amor e a liberdade, em perfeito equilíbrio com os seres e a natureza daquele lugar.

Por fim, todos os dias se tornaram para o andarilho um motivo para que ele dedicasse todo seu coração na manutenção desse lindo reinado, com muita alegria, amor e paz.

Luz, Paz e Amor.
O.:.S.:.S.:.

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