Pular para o conteúdo principal

Sobre a Iniciação

Iniciação é um processo de autoconhecimento, onde temos um despertar da consciência, para as realidades do “Eu Superior”, do Mundo Espiritual, do Universo e das coisas relativas às Leis divinas.

Muitos confundem a opção espiritual como algo quietista e piegas. Pretendem ser modernos mas têm vergonha de qualquer “ranço devocional”. Uns esperam naves, outros o próprio Logos ou Cristo. Um pensamento bem-firmado, um bom sentimento no coração, uma vela ou uma espaçonave podem cobrir distâncias de muitos anos-luz. Mas a grande ferramenta está na consciência. Pois cabe a ela projetar e elaborar a matéria-prima dos pensamentos num processo de Ideação Divina.

O trabalho espiritual tem início quando a consciência se firma e se reconhece como ferramenta dessa criação, optando pela realidade e pela vida espiritual.

Qualquer projeto de vida espiritual deve necessariamente fundamentar-se numa ética de amor e caridade, de ideais solidários e abnegados, isenta de qualquer interesse particular. A verdadeira fé significa cultuar um sentimento altruísta em prol da Humanidade. E o mais importante de tudo é a sinceridade com que aspiramos a Verdade. Mesmo quando não podemos ainda enxergá-la com clareza, devemos nos manter em sua pista. Corrigindo nosso passo sob a luz do autodiscernimento.

Há, entranto, uma lei natural, rezando que nada do saber oculto 
pode ser entregue a quem não esteja em condições de recebê-lo.
                                                                                                                   
Só em sua própria alma é que o ser humano achará os meios para abrir os lábios dos iniciados. Ele deve desenvolver em si certas qualidades até um certo grau elevado; então os supremos tesouros espirituais poderão ser-lhe concedidos. Certa disposição fundamental da alma deve constituir o início. O investigador do oculto denomina-a a trilha da veneração, da devoção diante da verdade e do conhecimento. Só quem possui esta disposição fundamental pode tornar-se discípulo do oculto.

Se não desenvolvermos em nós o profundo sentimento de que existe algo superior ao que somos, não acharemos forças para atingir um grau mais elevado.

A elevação do espírito só pode ser alcançada quando se atravessa o portão da humildade. Você só poderá alcançar um correto saber quando houver aprendido a respeitá-lo. O homem tem indubitavelmente o direito de defrontar a luz com seu olhar; porém, deve conquistar esse direito. Há leis, na vida espiritual, como as há na vida material.

Quem procura o conhecimento superior terá de desenvolvê-lo em si. Ele mesmo deverá infundi-lo em sua alma. Isto não é possível através de estudos: só a vida poderá fazê-lo.

Em toda ciência oculta reside um princípio que não se deve infringir quando se quer  alcançar um fim almejado. Toda disciplina oculta terá de imprimi-lo em seus discípulos. Ele diz: 

“Toda cognição que procuras com o único fito de enriquecer teu saber, somente para acumular tesouros em ti, desviar-te-á de teu caminho; toda cognição, porém, que procuras para tornar-te mais maduro no caminho no enobrecimento humano e da evolução cósmica far-te-á avançar um passo.”

Essa lei deve ser inexoravelmente observada. Ninguém é discípulo antes de haver feito dessa lei a norma de vida. Pode-se resumir esta verdade da disciplina espiritual na curta frase seguinte:

Toda ideia que, em ti, não se torna um ideal mata uma força em tua alma; toda Ideia, porém, que se torna um ideal gera forças vitais em ti.

O nosso caminho espiritual depende da capacidade do nosso discernimento, da firmeza da palavra empenhada, da conduta corajosa em cumpri-la e da profundidade de nossa renúncia.


~ baseado em textos de Rudolf Steiner

Luz, Paz e Amor.
O.:.S.:.S.:.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Andarilho

Era uma vez um povo que habitava terras distantes. Era um reino de muita luz, amor e prosperidade. Na terra que viviam, obtinham todo alimento e segurança que precisavam. Viviam em plena harmonia com todos os outros seres que ali habitavam. Haviam magos e seres mágicos que cuidavam não só do corpo desses seres, porém também tratavam o espirito e a mente de todos. Eram governados através da sabedoria de seus anciões. Havia muita diversão, arte e música por onde quer que fosse. Todas as pessoas eram felizes e alegres, ajudando uns aos outros.  Um dia um dos habitantes se sentiu limitado por está há tanto tempo entre aqueles seres, e decide partir dali, em busca de conhecer outros seres e lugares. Decide então partir, rumo ao desconhecido. Caminhando eras e eras na sua busca (sim, os seres dessa terra eram imortais), encontrou apenas as mais belas paisagens e nada mais.  Porém a certo ponto, começou a se sentir solitário, caindo em conflitos dentro de sua alma. Dista...

Srimad Bhagavatam - Parte I

O devoto é plenamente cônscio de que está uni com o Absoluto e, ao mesmo tempo de sua posição eterna de servo do Absoluto. Na concepção material, falsamente julgamo-nos senhores de tudo que observamos, e por isso somos sempre incomodados pelas três espécies de misérias da vida: 1) as misérias que surgem do corpo e da mente; 2) as infligidas por outros seres vivos e 3) as decorrentes de catástrofes naturais sobre as quais não se tem controle.  Mas tão logo tomemos conhecimento de nossa verdadeira posição como servos transcendentais , de imediato livramo-nos de todas as misérias. Enquanto a entidade viva estiver tentando assenhorear-se da natureza material , não haverá possibilidade de ela torna-se servo do Supremo. O serviço ao Senhor é prestado m consciência pura da própria identidade espiritual; através do serviço, libertamo-nos imediatamente dos estorvos materiais.  “Sabendo bem que a era de Kali já começou, estamos aqui reunidos neste local sagrado para ouvir longamente ...